domingo, 21 de noviembre de 2010

Aldéia: Jenipapo - fotos

Dezembro 2009


Cacique Edison tomando sol, o secado da pintura será mais rápido


Quando conhecí o Cacique Edison ele me ensinou a preparar uma pintura natural, uma tinta que, si aplicada no corpo, fica na pele por volta de 5 dias.
Esta tinta se obtém misturando o Jenipapo, -fruta de cor verde e mais ou menos do tamanho duma manga-, com carvão e água.

Eu vi um pé de Jenipapo no quintal do vizinho. Eu perguntei para Elvis se ele sabia as utilidades do Jenipapo. Ele me disse que sim, que na tribu dele, os Rikibatsa, também conheciam o processo de preparar a pintura.


Elvis subindo a árvore, no quintal do vizinho

Sendo assim, falei para Elvis prepararmos tinta de Jenipapo.

O proceso é simples. Você tem de ralar num prato ou recipiente a polpa da fruta, mas as sementes não. Apóas ralar o Jenipapo, você tem que espremir ésta polpa ralada, como se fosse um limão e coar.



Logo, pulveriza o carvão, quer dizer, temos de ter carvão em pó, machucando o carvão com uma pedra, por exemplo.
Mistura o suco do Jenipapo com o carvão. Ao contacto com o ar o suco do Jenipapo se oxida, e vai se tornando duma cor azul-preto.

Coloque um pouco de água, mas não muita já que a tinta fica fraca, assim como ficou a nossa, aquéle día que Elvis e eu tentamos fazer a nossa mistura.


Elvis, moendo o Jenipapo

Logo depois soubemos que é importante que o fruto esteja o mais verde possível, imaturo, pois é imaturo que pode fornecer a tinta que precisamos para pintarmos o corpo.



Se vocês fizerem a mistura do Jenipapo considerem éstes conselhos. Os nativos Terena não só utilizavam a pintura para rituais, ou quando se enfrentavam em guerra a outras tribus, se não, também para se proteger dos insectos, como mosquitos e pernilongos.


Rangú, pintando




Cacique Edison pintando a menina, Cidade de Goiás, Setembro 2009

atééé!
Gustavo Z.

miércoles, 10 de noviembre de 2010

Dias na aldéia

Macarrões no almoço



Os dias na aldéia eram corridos demais. Cada dia faziamos 4 ou 5 visitas a amigos, familiares no bananal e em outras aldeias. Em cada uma de essas 4 ou 5 visitas por dia, havia um churrasquinho, um almoço legal pelo aniversário de alguém...
Acordávamos cedo. Aprontávamos tudo e saiamos a caminhar, visitar e conhecer.
As pessoas nos recebiam muito bem.


Elvis, o Rikibatsa, numa visita que a gente fez. Casa do Marcos Terena.

Achei muito legal a hospitalidade das pessoas que conheciamos. Onde seja que a gente foi, sempre fomos recebidos com refrigerante, tereré ou agua, e comida.

Conhecimos muitas pessoas e vimos coisas interessantes, por exemplo o mascote do Joãozinho, um pequeno tatú, com a carapaça e as unhas duríssimas. Parecia um brinquedo.


O tatú

Conhecimos artesãos, que faziam trabalhos muito legais: abanadores, cestas, chapéus, tudo com fios de palha.


Cesta

Nas aldéias tem muitas crianças. Muitas mesmo.



Era bonito vê-las brincando, rindo, e quando viam a câmera, ficavam tudas timidas e fugiam ou baixavam a mirada...



Conhecimos também algumas meninas, como a Michele...nossa vizinha. Ela ficava ajudando a mãe, no quintal. A irmã dela também ficava por aí, ajudando ou fazendo alguma coisa.
Elvis, Kenji e eu ficávamos de olho lá. Quando podiamos.
Isto era quando saiamos no nosso quintal a tomar tereré, ou lavar nossas roupas.


A Michele e a irmã dela no quintal.

Demorou a gente se aproximar, quer dizer... os dias lá eram muito compridos, acho que demorou uns 3 dias para a gente conversar.


Michele

Foi a noite do aniversário de uma menina, quando ela se aproximou e começamos a falar. Logo me pediu para tirar fotos dela...



Conhecimos muitas pessoas, que nos convidaram para tirarmos fotos das festas delas, ou para conversar e saber mais dos visitantes: um japonés, um Rikibatsa, e um boliviano que falava torto.
No seguinte post mostrarei mais fotos e curiosidades da aldéia.

Até a próxima!
Gustavo Z.

lunes, 8 de noviembre de 2010

Fútebol: A Bola na Trave.

FINAL NO BANANAL



Dia 27 de Dezembro, final de fútebol na aldeia Bananal. A gente sai de casa e vai para o campo a assistir o jogo.





A torcida é misturada entre idosos que bebem tereré, meninas que passeiam, familiares dos jogadores, e curiosos que não querem ficar em casa, (o torneio do final do ano é todo um evento).







Uma partida marcada pelo jogo brusco, e três gols por time.





Vão a penaltis.
Gols para cada time; momentos decisivos, o campeonato está para cualquer um. Eu apenas estava aí como testemunha da emoção dos torcedores, falando e até chingando em Terena, lingua própria das aldéias.
Tudo mundo está nervoso, os torcedores começam a entrar no campo. O juiz manda tudo mundo fora, mas não consegue muita coisa.
Um cara, chuta a bola que caprichosa beija a trave. O som do ferro da trave, ainda soa na minha memória.


A bola na trave

Agora, ninguém pode conter os torcedores, uns q entram a comemorar, outros a reclamar ao juiz.
Os torcedores reclamam que ainda falta mais um penalty. Era verdade. O juiz manda o jogador do outro time chutar a bola. Lamentávelmente o reclamo da torcida não adiantou muito. O disparo foi parar às mãos do goleiro, e mesmo tendo enviado a bola á trave, esse time ganhou o torneio. Eu não gostei, mas assim é o fútebol.



O jogador que errou o penal, dias depois me pediu para apagar a foto que inmortaliza seu erro.
Eu falei para ele: assim é o fútebol (e a fotografia).

Gracias.
Já quase concluindo o 2010: partidas das meninas, final do torneio de fútebol de Ipegui e a festa de ano novo.

Até!
Abraços, Gustavo Z.

martes, 2 de noviembre de 2010

Fútebol nas Aldeias

Dezembro, 2009


Paraná (Gelson), ganha a bola de cabeça

Das coisas interesantes que percebi na aldéia, o fútebol foi uma das que mais chamou a minha atenção.
As partidas eram disputadas a morrer, e não só as partidas de homens, também os jogos de mulheres, mas vou dedicar um post só para falar delas.

Estes torneios de fútebol acontecem cada final do ano, é por isso que é tão emocionante.



Mais ou menos são uns 8 times por aldéia. Os times tem suas próprias torcidas, quando tem jogo, quase todo mundo vai para o campo a assistir.



Das 7 comunidades Terenas, o torneio mais apassionante foi o torneio de Ipegui. O time que Joãzinho Terena dirigia tinha o nome de Brasileirinho. Assim que chegamos já fomos assistir a semifinal do torneio de Ipegui, que desputavam Brasileirinho com um time local. O vencedor foi Brasileirinho, monstrando ser um time forte e compacto.


Maradona e Paraná (Gelson)

Tinham outros times nas outras aldéias, alguns eram times bons, outros times ruins, mais todos jogavam a matar ou morrer. Éste é um pequeno homenagem para eles.







Até mais!

Gustavo Zelaya